DSC_0158
Carne de Porco, Grãos & Leguminosas

Em família: Feijoada

“Mulher, você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar:
Arroz branco, farofa e a malagueta;
A laranja-bahia ou da seleta.
Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão.”
Feijoada Completa – Chico Buarque

Chico Buarque, em um único verso, conseguiu descrever perfeitamente o prato mais popular do Brasil. Pode até não ser o mais bonito, mas definitivamente é o mais conhecido gostoso. A feijoada chega a ser tão famosa, que todo turista que aporta em terras tupiniquins “tem que provar” o prato que é a cara do país. Se eu não gostasse tanto de experimentar coisas novas, poderia facilmente fazer da feijuca o prato oficial dos meus sábados. Por conta dessa minha adoração, o prato do dia é: Feijoada.

Reza a lenda que a feijoada é um prato que nasceu dentro das senzalas, pelas mãos dos escravos. Quando os senhores desprezavam as partes menos nobres, elas iam direto para os escravos que, consequentemente, misturavam-nas com a farinha e o feijão que recebiam para comer. Aparentemente, não foi bem assim. A feijoada nasceu na Europa e não no Brasil. Registros históricos mostram que desde o império romano já existia o hábito de fazer um cozido de feijões brancos com pedaços de carnes e legumes. Com o passar dos séculos, cada lugar da Europa adaptou o prato com os ingredientes disponíveis na sua própria região, incluindo Portugal. O que aconteceu no Brasil foi a adaptação do prato: ao longo dos anos, com o paladar já acostumado, os portugueses fizeram a substituição pelo feijão preto criando então a “feijoada à brasileira”.

A grande verdade é que, independente da sua origem, a feijoada está entre os meus pratos prediletos. Adoro o sabor do feijão preto, a mistura de carnes e os acompanhamentos que fazem parte do prato torresmo. Além disso, eu sinto que a feijoada tem um poder gregário que elimina qualquer tipo de formalidade. Ou seja, é o típico prato que reúne as pessoas em volta da mesa para apreciarem e curtirem o momento como deve ser feito. Não é a toa que ela é carteirinha nas comemorações aqui em casa.

Como a minha família é grande, qualquer comemoração que fazemos juntamos no mínimos umas 16 pessoas dentro de casa. Por conta do número de gente, é simplesmente impossível pensar em um menu com diversos pratos e elementos. São nesses momentos que entram os pratos únicos, no caso, aqueles que não dão muito trabalho por terem diferentes tipos de preparo. A minha mãe sempre ficou com a função da feijoada, e eu de ajudante. Dessa vez, fiz questão de assumir do começo ao fim, olhando, fazendo e dando pitaco em cada uma das etapas.

O preparo da feijoada é bem simples, apenas um pouco trabalhoso. Gosto começar a prepará-la com três dias antecedência: um dia para desalgar e cozinhar as carnes, e o outro para preparar a feijoada em si –  feita no dia anterior, ela pega mais gosto. No dia do almoço, sobram apenas os acompanhamentos – arroz, couve refogada, farofa, vinagrete, laranja. Aproveite que é segunda-feira e que ainda dá planejar o almoço do final de semana!

Feijão preto na panela, e vem comigo!
Para 6 pessoas:

  • 700g de feijão preto
  • 1 linguiça calabresa defumada
  • 1 paio
  • 300g de carne seca (limpa)
  • 300g de lombo de porco (limpo)
  • 4 gomos de costela de porco salgada
  • 1 costela de porco defumada
  • ½ pé de porco salgado
  • 3 folhas de louro
  • Q/N de óleo
  • Q/N de água
  • Sal a gosto

Comece pelas carnes. Lave todos os pedaços da carne seca, do lombo suíno e da costelinha suína em água corrente para tirar o excesso de sal grosso. Em seguida, em bacias separadas, deixe as carnes de porco e de vaca de molho. Para 24h, faça entre 5 e 6 trocas de água a cada 4h.

Em seguida, separadamente, coloque as carnes na panela de pressão e cubra com água. Depois que pegar pressão, cozinhe a carne seca por 15 minutos e as carnes de porco (lombo e costelinha) por 10 minutos. Cozinho separadamente, porque cada uma tem o seu tempo de cozimento e é importante respeitá-lo para que não cozinhem e corram o risco de desmanchar. Escorra da água e reserve.

Nesse meio tempo, deixe o feijão preto de molho por 12h para eliminar todas as toxinas fazendo três trocas de água. Depois da última troca, coloque o feijão na panela de pressão e cubra com água até passar aproximadamente 2 dedos dos grãos. Adicione as folhas de louro e o pé de porco. Cozinhe na pressão entre 15 e 20 minutos. Não deixe o feijão macio demais, pois, terminaremos o seu cozimento junto com as carnes. Quando o feijão estiver pronto, descarte o pé de porco. Reserve.

Em seguida, retire a pele que envolve a linguiça calabresa e corte em rodelas. Corte também o paio em rodelas. Reserve.

Limpe a costelinha retirando o excesso de gordura e corte em tirinhas. Reserve.

Coloque as rodelas de calabresa e paio em uma panela, cubra com água e afervente. O processo faz com que parte da gordura se desprenda da carne. Quando a espuma subir, desligue o fogo e descarte a água.

Em uma panela, coloque um fio de óleo e doure as rodelas de calabresa, paio e a costelinha defumada. Reserve.

Por último, junte todas as carnes – calabresa, paio, costelinha, lombo e carne seca – ao feijão. Termine o cozimento em uma panela por mais 15 minutos.

Dica: se o caldo ficar ralo demais, amasse alguns grãos e misture à feijoada para dar uma engrossada.

Bon Appétit!
Bisous,

Write a comment