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Bolos

Herança da vó Julia: Bolo Cremoso de Milho Verde

Toda família tem uma ou mais receitas que fazem parte da sua história. Um bolo, uma sobremesa, um prato salgado. As vezes elas vêm escritas em um livro surrado com páginas amarelas, outras ficam guardadas na cabeça de algum parente e por aí vai. Não é nenhuma novidade que na minha família, uma das coisas que mais têm são receitas. Hoje, trago para vocês um bolo que é sucesso absoluto nos cafés da tarde que a minha tia Cida promove na casa dela aos sábados. Herança da minha avó Julia, hoje vamos de: Bolo de Milho Verde.

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De acordo com a minha tia Cida, esse bolo é uma herança deixada pelos negros, índios e brancos que passaram pelas fazendas de Minas Gerais. Milho era um alimento que existia em abundância, portanto, fazia parte da dieta tanto da casa grande quanto das senzalas. Do milho transformado em fubá até os bolos, foram diversas as receitas criadas para aproveitar ao máximo a fartura dos milharais. A minha avó já contava que, dos escravos alforriados, alguns continuavam trabalhando com a família. Ela, quando pequena, foi criada por uma chamada Vitória que a acompanhou até o fim de sua vida. Das muitas coisas que ela ensinou a minha avó, uma delas é a receita de hoje.

Já tem um tempo que venho fazendo uma curadoria de todas as receitas da minha família, de ambas as partes. Depois que a minha avó faleceu, a minha tia ficou ” incumbida” de ser a responsável pelas receitas deixadas por ela. Agora, chegou a vez dela de me passar os segredos da família Morais.

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A primeira grande lição é que o resultado final do bolo depende quase que inteiramente da qualidade do milho verde. Acreditem ou não, eu demorei muito para conseguir fazer essa receita! Minha tia ia a feira e voltava dizendo que teríamos que esperar porque o milho não estava bom: cor pálida, duro demais, espigas muito miúdas. De acordo com ela, o milho precisa estar com uma cor amarelo claro bonita, ao apertar os grãos precisam estar macios e a palha que envolve a espiga precisa estar verde viva e fresca.

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Tenham em mente que esse bolo é simples e feito com ingredientes mais simples ainda! A única coisa que dá trabalho e é um pouco mais chata de fazer, é tirar os grãos de milho da espiga. Fora isso, o preparo é muito rápido. O que eu mais gosto nesse bolo é o sabor. Todos os ingredientes que compõem a receita são utilizados com parcimônia propositalmente para que o milho sobressaia bastante. A textura cremosa também é de outro mundo, levando o bolo à um patamar superior. Honestamente, eu nunca comi um bolo de milho verde tão bom quanto esse.

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Prepare um café coado no capricho, e vem comigo!

Para um bolo:

  • 5 espigas médias de milho verde
  • 2 ½ xícaras de leite integral
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 ovos
  • ⅓ xícara de chá de óleo
  • 1 colher de sopa de farinha
  • 1 xícara de chá de parmesão ou queijo de Minas ralado médio
  • Uma pitada de sal
  • Uma pitada de canela em pó
  • Uma pitada de cravo em pó
  • Q/N de óleo para untar

Comece pelas espigas de milho verde. Retire as folhas, o cabelo e lave com água. Depois seque espiga por espiga com um pano de prato.

Dentro de um bowl/tacho, retire os grãos da espiga com a ajuda de uma faca. Corte rente de duas em duas fileiras que é mais fácil! Se preferir, pode ralar as espigas.

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No liquidificador, bata metade do milho com duas xícaras de leite. Bata bastante para evitar que pedaços grandes de milho fiquem na massa. Despeje o “creme” em um bowl e reserve.

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Volte para o liquidificador e bata o açúcar, o sal, a canela e o cravo em pó com os ovos. Bata bastante até formar um creme esbranquiçado.

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Em seguida, acrescente no creme a outra metade de milho, a ½ xícara de leite restante e o óleo. Bata até obter um creme homogêneo. Por último, acrescente a farinha e bata novamente.

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Junte o 2º creme com o que estava reservado. Mexa com um fouet.

Acrescente o queijo ralado e mexa novamente.

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Unte uma forma com furo no meio (ou lata, como diria a minha avó) e despeje a massa na forma.

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Asse em forno em pré-aquecido à 180º por meia hora sem abrir o forno. Começa baixinho para cozinhar bem a massa. Passada meia hora, aumente para 205º e deixe cozinhar por mais 15 minutos. Se você espetar um faca fininha e ela sair “limpa” (lembrando que o bolo fica cremoso e a faca não sairá completamente seca como em um bolo que vai muita farinha e fermento), mude a temperatura para 255º até o bolo dourar por cima/5 minutos.

Retire o bolo do forno, tampe e coloque um pano de prato por cima. Se você não tiver uma forma com tampa como as de antigamente, cubra a forma com um pano de prato. O bolo fica melhor no dia seguinte e fica com uma textura super cremosa.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

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